
O ônibus freou bruscamente. Um senhor grisalho e barrigudo
esbravejou um palavrão. Entra um homem. Ele também se chama Narciso. Em tudo se
parece com Narciso, eles se olham. Seus corpos se tocam. Narciso sente o bafo
de Narciso na sua nuca. O hálito quente torna o resto invisível, mãos se
entrelaçam, caralhos se erguem e ninguém vê absolutamente nada. Narcisos se
amam. Narcisos chupariam um cadáver. Narcisos sentem que vem vindo. Narciso
puxa uma navalha e desenha um corte na garganta de Narciso. Narcisos gozam.
Narcisos morrem para depois matar. Narcisos chupariam um cadáver.
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