20 Novembro, 2009

QUEEN, PLEASE DONT SMOKE!


18 Novembro, 2009


POMBA SUICIDA POR POMBA


TELEVISIVA POR POMBA


27 Novembro, 2008

Aquela Coisa por Pomba/ Ilustração Pomba



Cláudia de Rodrigues Borba
claudiadrb@gmal.com


Ela estava de quatro com a cabeça na privada, entretanto a lei da gravidade não era o suficiente para o elemento sucumbir à água fétida. Enfiou o dedo lá no fundo, só que a coisa adorava aquele lugar apertadinho. Arrastaram-se as semanas nessa agonia, e Jocasta foi ao médico. “Nada. Sua saúde está ótima”.
“Médico estúpido”, pensou. Ela não conseguia sentir nada além daquele corpo estranho pulsando em seu pescoço. Jocasta só pensava na sua criatura. Quando sua mãe morreu, não foi ao velório. Ninguém mais importava. A navalha refletia o espelho e vice-versa e entre esse duelo de imagens, a pobre tentou perfurar o esôfago, mas a primeira gota de sangue sentenciou sua fraqueza.
Buscou em bares, bebidas e machos que apaziguassem seus monstros. Conseguiu um whisky e um tipo de meia idade. Levou o kit para casa. Momento inusitado para a coisa descer. O pau na boca de Jocasta fez com que o empecilho se decidisse a sair. Correu para o banheiro e socou a cabeça na pia. Após um parto oral viu a cara de sua criatura. Pulsava, era do tamanho de um punho, com átrios e ventrículos banhados de sangue. O músculo salteava, buscando uma saída. Jogou-se da pia e foi rastejando até a porta do banheiro. Jocasta, percebendo do que se tratava aquela coisa, agora voluntária, agarrou-a e enfiou dentro da boca, catou o conhaque na sala e engoliu o pedaço vivo de carne. Não parecia nada com aquelas almofadas escritas “eu te amo”. O coração era feio e o amor não existia. Quanto ao tipo de meia idade, saiu de fininho.
Calçinha no chão, taças vazias, sangue na pia e a solidão. Jocasta venceu o combate, o inimigo agora pulsava em seu estômago, mas em breve, ela sabia, ele fugiria de novo.